Para quem não sabe, as Expos são eventos internacionais de larga escala que reúnem países do mundo todo para apresentar suas inovações, culturas, ideias para o futuro e soluções para desafios globais. Eu costumo chamá-las carinhosamente de “Feira das Nações com muito investimento”, rs…
Para você ter uma noção da importância histórica das Expos, a Torre Eiffel foi inaugurada na Expo de Paris, em 1889. No mesmo ano, também houve a introdução do telefone e da iluminação pública elétrica. Em 1970, na Expo Osaka, foi a vez da estreia do Shinkansen (trem-bala). Entre muitas outras grandes invenções.
Tive a oportunidade de visitar duas Expos: a de Dubai em 2022 (chamada de Expo 2020, mas adiada por causa da pandemia), e a que está ocorrendo agora em Osaka. Vou contar um pouco da minha experiência.
Expo Dubai 2020
Foi minha primeira vez em uma Expo, e eu fiquei encantadíssima! Um evento grandioso, exuberante, com diversos pavilhões projetados por escritórios de arquitetura renomados como Foster + Partners, Santiago Calatrava, entre outros. O tema era “Conectando Mentes, Criando o Futuro”, com foco em Sustentabilidade, Mobilidade e Oportunidades.
Você explorava os espaços como se estivesse visitando diversos países em um só dia, com imersão cultural e conhecendo seus planos para o futuro. Não houve um grande projeto que se destacou isoladamente, mas havia diversas soluções novas e inteligentes de todas as áreas. Fui por dois dias e não consegui ver nem a metade, só para ter uma noção do quão grande era o evento.
Pavilhão do Brasil
Expo Osaka 2025
Dessa vez, estava tão empolgada que visitei a Expo por três dias, rs… Fui à inauguração (que foi bem conturbada), e mais outros dois dias que proporcionaram uma boa experiência. Menos grandiosa que a de Dubai, mas ainda assim enorme. Consegui ver aproximadamente dois terços dos pavilhões.
O tema é “Projetando a sociedade futura para nossas vidas”, com foco em saúde, bem-estar e inovação para a humanidade. O espaço é organizado em torno do Grand Ring, a maior estrutura de madeira do mundo (que entrou para o Guinness!). Ela foi construída majoritariamente com encaixes (comum nas construções japonesas), e serve tanto como área de circulação quanto de abrigo do sol e chuva.
O projeto que mais me chamou atenção foi a criação de um tecido de coração artificial que pulsa sozinho, com potencial de revolucionar o tratamento de doenças cardíacas.
Pavilhão Pasona Natureverse, onde apresentou o tecido de coração artificial
O Japão investiu pesado nos pavilhões focados em saúde, alimentação, robótica, moradia e sustentabilidade, o que acabou destoando dos pavilhões de outros países, que em sua maioria apresentavam poucos projetos e divulgavam mais a sua cultura, como o pavilhão do Brasil. Sem contar em alguns outros países que talvez nem tenham entendido exatamente o propósito da Expo, como o pavilhão da Turquia que só queria vender kebab e tapete, rs…
Pavilhão do Brasil
Conclusão
Acredito que as Expos continuam, sim, sendo palco de inovações, mas tenho a sensação de que é difícil manter isso como foco principal. Só nesta última edição, são cerca de 158 países participantes… e, convenhamos, é improvável que todos tenham projetos para apresentar, ou verba para montar um belo pavilhão.
Ainda assim, o evento acaba funcionando como um espaço diplomático e de apresentação cultural, o que não deixa de ser interessante!
Visitar uma Expo é uma experiência única, e se você tiver a oportunidade, vá com tempo e calma para explorar o mundo em um único lugar.
Obs.: A próxima Expo será em Riad, na Arábia Saudita, em 2030.