Os Gashapons (aquelas máquinas automáticas em que você gira a manivela e cai uma cápsula surpresa com um brinquedo colecionável) são uma verdadeira febre no Japão. Durante a minha estadia de 3 meses entre Tóquio e Osaka, junto com meu namorado que pegou mais de 100 gashapons, rs… eis que dou minha análise como estrategista de marca.
Nas grandes cidades japonesas, é impossível não notar: são milhares de máquinas espalhadas por todos os cantos. E, quando se observa com atenção, é impressionante a variedade e a aleatoriedade dos itens disponíveis. Tem os clássicos e previsíveis, como Hello Kitty, One Peace, Snoopy, Disney, Star Wars, entre outros. Mas também aparecem os mais inusitados: gatos fantasiados de fantasma, homens com cabeça de sushi, pássaros atiradores, garrafas de bebida sentadas, animais no estilo do quadro “O Grito ”, ketchup dormindo, personagens do Ultraman na sauna… praticamente qualquer coisa pode virar miniatura de gashapon.
Refletindo sobre esse mercado, surgem algumas constatações:
- O Japão tem uma das maiores populações urbanas do mundo, ou seja, há consumidor para tudo;
- Brinquedo já não é sinônimo de produto exclusivamente infantil. Pelo contrário: percebi que a maioria das pessoas nas máquinas eram adultos, um reflexo de uma tendência não só no Japão mas também mundial;
- Se há fluxo constante de pessoas de todas as idades, se torna também uma oportunidade para as marcas estarem presentes.
E é exatamente isso que muitas empresas fazem. Vi gashapons de marcas como Listerine, Reebok, All Star, Cup Noodles, e até mesmo a Havaianas. Talvez não importa tanto quantas cápsulas são vendidas, afinal, são milhares de máquinas competindo pela atenção em um mesmo espaço. O ponto é outro: estar presente no cotidiano do consumidor, reforçando a lembrança da marca de forma alternativa.
Portanto, apesar do foco do gashapon seja entreter, ele também auxilia na estratégia de brand awareness para tornar uma marca memorável.