Voltei recentemente da Ásia e agora, dando uma acalmada na rotina, consigo finalmente retomar as newsletters. Depois de três meses viajando entre China, Coreia do Sul e Japão, tenho muitas coisas para contar!
Sem dúvida, a China foi o país em que mais senti o choque cultural. E não apenas nas grandes diferenças culturais, mas até nas pequenas coisas cotidianas. Passei um mês por lá, entre Xangai, Furong, Zhangjiajie e Chongqing.
Logo que chegamos a Xangai, pegamos o famoso trem-bala que flutua nos trilhos, o tal do Maglev. Ele liga o Aeroporto de Pudong ao centro de Xangai, percorrendo cerca de 30 km em apenas 7 minutos. Pode chegar a 430 km/h e é considerado o trem comercial mais rápido do mundo.
O curioso é que, quando você entra no trem, não encontra nada daquela decoração futurística que se espera. Diria que ele é até bem simples, com uma cara meio anos 90. Mas sim: o trem é super rápido. A paisagem pela janela simplesmente voa. Tentei até não olhar muito para fora para não enjoar, rs…
Nossa hospedagem ficava longe do centro, em um bairro residencial. Assim que saímos da estação de metrô, demos de cara com um mar de motos e entregadores de delivery andando de hoverboard. E eles entravam de hoverboard inclusive no elevador!
A primeira coisa que um nômade digital faz é ir ao supermercado, numa tentativa de manter uma rotina de quem “mora” naquele lugar. Eis que tive outro choque: vários aquários enormes com peixes e frutos do mar vivos, onde você, cliente, escolhe o que quer, pesca o animal, coloca num saco e leva para casa. Vi uma mulher deixar o peixe cair no chão, onde ele ficou se debatendo por alguns segundos.
E, acima das nossas cabeças, havia um trilho por onde passavam sacolas. Pelo que entendi, os funcionários vão coletando os itens dos pedidos online nessas sacolas, as coloca no trilho, e são encaminhadas automaticamente para algum tipo de central, onde são conferidas e depois recolhidas pelos entregadores.
Olha, isso foi só no primeiro dia de China, rs…
Em Furong, a famosa cidade histórica com uma cachoeira no meio da vila, a vida era mais tranquila e espontânea. Ao passar pelos restaurantes e lojas, os atendentes ficavam boa parte do tempo batendo papo, comendo ou cochilando. Como estava quente, vários homens usavam o famoso “biquíni de Pequim”: puxavam a camiseta até a altura do peito, deixando a barrigona à mostra para se refrescar. E isso incluía os lojistas, rs…
Já Chongqing, a cidade “Cyberpunk 8D”, era realmente um multiverso paralelo. Um caos que mistura moderno com antigo. Desde entrar pelo térreo de um prédio que, na verdade, é o 26º andar de outro; encontrar uma vendinha de aves vivas que eram abatidas na hora da compra; vilas históricas cheios de cafés aesthetic; evento para encontrar um pretendente para os filhos através de cartazes impressos; além do bombardeio de luzes nos pontos turísticos da cidade.
Para não me estender demais, porque acho que só esse assunto daria um livro, a principal conclusão é que a China é única e extremamente diversa. Não adianta tentar defini-la com um único adjetivo. É um país complexo, de cultura milenar, cheio de similaridades e diferenças em relação ao que conhecemos no Ocidente.
Tem muita tecnologia? Sim. Tem pobreza? Sim, porém não vi UM morador de rua. É seguro? Super! Tem clima de repressão? Não vi nada, inclusive os chineses ficam muito à vontade (mesmo!): usam qualquer roupa sem julgar, dançam em público, jogam jogos entre amigos na praça, adoram gravar vídeos para as redes sociais, cospem na rua…
E quando você passa pelos centros comerciais, é igual a qualquer outra cidade capitalista: cheio de lojas de marcas internacionais como Nike, Louis Vuitton, Adidas, Apple, McDonald’s. Muita gente comprando para todo o lado. Para desmistificar um pouco a imagem que todo país comunista “é horrível”, que algumas pessoas falam por aí.
Bom, essa é só uma pitada da minha experiência. E a única certeza que tenho é que quero voltar logo!