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Nomadic Life in Playa del Carmen

Passei 25 dias em Playa del Carmen, no Caribe mexicano, no final do ano passado como nômade digital, ou seja, trabalhando enquanto viajava. Foi a minha segunda vez lá. Para mim, é a cidade praiana perfeita, com a combinação ideal entre estrutura, praia paradisíaca acessível e muitas coisas para fazer.

Não eram férias.

Em um apê comum alugado no Airbnb, a rotina começava com café da manhã parecido com a do Brasil, mas com um toque mexicano: uma fruta diferente, um queijo de Oaxaca, um pão típico da região. Depois, avaliava os jobs do dia e o clima. A partir daí, era uma alternância entre trabalho, praia, trabalho, academia e uma voltinha pelo centro. Não necessariamente tudo isso junto ou nessa ordem. E ainda havia os afazeres cotidianos como cozinhar, lavar roupa, ir ao supermercado… Vida comum.

nomade digital

Não eram férias.

Nos fins de semana, aí sim, era o momento de turistar. Em vez de ir ao cinema, fui fazer snorkel em Cozumel. Em vez de passear no parque, visitei a famosa pirâmide de Chichén Itzá. E se surgisse uma brecha entre os projetos, trocava uma folga na quarta-feira por um domingo trabalhando. A rotina não precisa ser tão rígida quando sua estrutura é simples e adaptável.

chichen itza
Chichén Itzá - Uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno

Não eram férias.

Certa vez, o famoso designer Stefan Sagmeister disse que, a cada sete anos, tirava um ano sabático para viajar pelo mundo. A ideia era antecipar cinco anos da aposentadoria e distribuí-los ao longo da vida profissional. Aquilo explodiu cabeça de muita gente. Ele conta que essa decisão contribuiu para sua criatividade, agregou mais valor ao trabalho e claro, aumentou sua satisfação pessoal. Inclusive, ele apresentou um TED sobre isso.

Com o tempo, me perguntei: por que esperar sete anos? Por que não pode ser agora?

Mas tem um detalhe: não sou herdeira rica (como alguns comentam por aí), e meu trabalho como designer não me dá o luxo para parar por um ano a cada sete, como Sagmeister. Então pensei em adaptar ao meu contexto: e se eu trabalhar enquanto viajo? Não dá para aproveitar mesmo assim?

Por isso, não eram férias.

Minha relação com as férias mudou muito ao longo do tempo. Quando liderava uma agência, só me permitia viajar entre Natal e Ano Novo, o período em que as demandas diminuíam e minha ausência afetava o mínimo possível o funcionamento da empresa. Eu ficava desesperada esperando as férias. E, quando finalmente chegavam, tentava viver tudo intensamente, como se fossem os últimos dias da vida, rs.

Hoje, com mais flexibilidade, esse desespero já não existe mais. O que estou vivendo é tão interessante e instigante que contribui até para o meu trabalho. A sensação é de que estou aproveitando bem o presente. Não que seja perfeito, mas é bom não precisar esperar pelo fim do ano, nem a aposentadoria para desfrutar melhor a vida, como nos ensinaram. Até porque, não sabemos como será o amanhã.

Por isso, não eram férias.

Entendo perfeitamente que cada um tem seus desafios, e que para grande maioria, parar um ano como Sagmeister ou viver viajando como no meu caso seriam metas inviáveis. Mas já se questionou se aquilo que sempre nos ensinaram é a única forma de desfrutar a vida? Se há outros caminhos mais interessantes que melhorem a sua relação pessoal e profissional? Talvez o que falta é uma pequena pausa para reflexão.

Portanto, tire férias.

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